Há momentos, Demi Lovato assume em um documentário revelador na MTV, em que ela acha que não vai conseguir derrubar seus vícios. “Há dias que serão uma luta,” ela diz em “Demi Lovato: Stay Strong”, que vai ao ar às dez da noite (EUA) nesta terça.
“Não posso te dizer que não vomitei depois do tratamento. Não posso te falar que não me cortei depois do tratamento. Não sou perfeita. É uma batalha diária, que enfrentarei pelo resto de minha vida.”
Qualquer dúvida de que o especial da MTV de Lovato será apenas mais uma obra chatinha e irreal sobre uma celebridade se esvanece depois desse momento, que se passa bem no começo do programa.
Lovato é uma adolescente nascida no Texas, cuja jornada para o estrelato estourou com seu papel principal no filme ‘Camp Rock’ do Disney Channel, ao lado dos Jonas Brothers. O papel a fez ganhar uma legião de fãs e mais trabalho. Mas a loucura do sucesso também mascarou seus problemas com sua imagem e depressão. Ela se voltou às drogas e a auto-mutilação. Ela diz que estava “talvez, possivelmente, fora do controle” e que suas batalhas escondidas “literalmente acabaram a levando à insanidade.”
Em Outubro de 2010, após uma briga com uma dançarina na turnê com os Jonas Brothers, os pais de Lovato a confrontaram, numa intervenção. Ela concordou em procurar ajuda e entrou numa clínica de tratamento. O documentário acompanha o último outono, quando Lovato saiu numa turnê com seus shows e depois foi para casa, para o Dia de Ação de Graças.
Quando menor, ela conta, ela já se incomodava com sua aparência. Ela também batalhou contra a depressão desde cedo e diz que nunca teve algum momento onde se sentiu “boa o suficiente ou digna o suficiente.” Incidentalmente, essas palavras são ouvidas enquanto os espectadores vêem um vídeo de Demi, aos 3 anos, num recital de ballet – uma imagem semelhante a qualquer número de reality shows de dança, nos dias de hoje. Esses sentimentos se intensificaram quando sua jornada na Disney começou, e ela, de repente, se viu tachada como ‘garota modelo’ – algo que ela “odiava”. “Estava indo a várias festas, me auto-medicando,” ela conta. Lovato diz que estava longe de ser um modelo para alguém. “Decidi descontar em mim mesma. Era minha própria maneira de descontar a minha vergonha e a minha culpa em mim.” Ela mostra seus pulsos, com “Stay” tatuado em um e “Strong” no outro. Ambos são uma lembrança de sua estadia na reabilitação e um modo de cobrir as cicatrizes de onde ela se cortava.
Numa emissora de televisão que têm sua maior audiência com as bobeiras do “The Jersey Shore”, “Stay Strong” se destaca por sua pungência e honestidade. Fica claro que Lovato ainda está lutando para por sua vida de volta nos trilhos. É nessas horas que o documentário vai mais a fundo, e pode ajudar pessoas em situações similares. Para este fim, a MTV vai pôr no ar, ao vivo, um especial às 11 da noite, no qual Lovato fala com SuChin Pak e responde perguntas da audiência. “Não acho que estou completamente curada,” diz a estrela. “As pessoas acham que você é que nem um carro em uma oficina. Você entra, eles arrumam, e você sai, novinha em folha. Não é assim. É uma batalha constante.” E é isso que faz o documentário valer a pena ser visto.

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